sexta-feira, 25 de agosto de 2017

O civismo e os exemplos



        Aproximamo-nos de mais uma Semana da Pátria. Ápice do momento, o Desfile Cívico, destinado ao cumprimento do civismo e do respeito à Pátria Mãe. Aos municípios, salvo exceções para evitar a generalização, cabe a tradicional incumbência de organizar o percurso e a ordem das entidades a participarem do desfile. Geralmente, além do Batalhão do Exército, participam da atividade escolas, entidades sociais e da segurança. Ordem e progresso, dizem. Apenas para alguns. Mas por que somente as mesmas instituições que desfilam a cada ano? Por que cabe somente a nós, professores, alunos, gestores escolares e membros das entidades sociais, essa responsabilidade? Será que somente nós temos este dever para com o nosso país? Não seria mais interessante se em cada município o(a) prefeito(a), se em cada capital de estado o(a) governador(a) e em Brasília, o(a) Presidente, puxassem o desfile, a pé, com a bandeira do Município, Estado ou País? Que marcante seria a presença das primeiras damas e dos cônjuges das chefias do executivo se apresentando à sociedade em data tão relevante. Seguidos dos seus ministros, secretários e cargos de confiança, sem direito à faltas neste momento cívico tão importante. Que magnífico seria, logo após o executivo, se todos, eu disse todos, os membros do legislativo de cada esfera tivessem também o privilégio de proporcionar às suas comunidades e sociedades o encontro em uma circunstância patriota e festiva, sem o peso da necessidade de agrado como nas campanhas eleitorais? Que riqueza teríamos se os membros do judiciário, em cada esfera a que atendem, pudessem também desfrutar desta mesma emoção, fazendo jus à importância que afirmam prestar à sociedade. Que rico momento teríamos ao assistirmos aos integrantes de cada secretaria de governo representados, alinhados, cabeças erguidas e em marcha ao ritmo do bumbo? Não há a necessidade de palanques. Todos no chão, todos a pé, no mesmo nível, em igualdade, representando a independência e a soberania do Brasil. Após, as escolas, as entidades sociais, os órgãos da segurança, os militares, as organizações não-governamentais e os grupos culturais. E por que não oportunizar às demais instituições e empresas, púbicas e privadas, o espaço democrático de participação cívica? Por que somente a nós, os mesmos do ano passado, os mesmos do ano retrasado e anteriores, cabe esta prerrogativa? Por que não enriquecer os desfiles e os demais atos de comemoração à Pátria, concedendo a oportunidade e exigindo a mais pessoas, entidades e organizações a participação e o cumprimento do dever cívico?
Que bonito seria se as oportunidades, os direitos, a ética e os deveres fossem para todos. Que bom seria se os exemplos fossem dados por todos, inclusive por aqueles que os exigem.

Eduardo Carissimi
Professor


Texto publicado originalmente no espaço opinião da edição de 25/08/2017 do Jornal Gazeta do Sul - Santa Cruz do Sul - RS.

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